PHQ-9 e GAD-7 na APS: Como Aplicar, Interpretar e Conduzir
Guia completo para usar PHQ-9 e GAD-7 na atenção primária: pontuação, pontos de corte, interpretação clínica e conduta segura.
Saúde mental é rotina na UBS. O problema é que muita gente atende no achismo, sem ferramenta padronizada. PHQ-9 e GAD-7 resolvem isso: são escalas curtas, validadas e fáceis de repetir ao longo do acompanhamento.
Aqui está o jeito prático de usar, interpretar e decidir conduta na APS.
Quando usar na APS
Use as escalas quando houver:
- •Queixa de tristeza, anedonia, irritabilidade
- •Insônia persistente, fadiga, queda de rendimento
- •Sintomas físicos recorrentes sem causa clara
- •Ansiedade com prejuízo funcional, preocupação excessiva
- •Acompanhamento de quem já está em tratamento
Como aplicar em 2 minutos
As duas escalas olham para os últimos 14 dias. Cada item tem 4 respostas, pontuadas de 0 a 3, e você soma tudo. A vantagem é que o paciente entende rápido e você consegue repetir em toda consulta de seguimento para ver resposta.
PHQ-9: pontuação e interpretação
Pontos de corte clássicos: 5, 10, 15 e 20, representando gravidade crescente.
- •0 a 4: mínimo ou ausente
- •5 a 9: leve
- •10 a 14: moderado
- •15 a 19: moderadamente grave
- •20 a 27: grave
Item 9 do PHQ-9 e risco de suicídio
O item 9 rastreia pensamento de morte e autoagressão. Resposta positiva exige avaliação clínica imediata de risco.
GAD-7: pontuação e interpretação
- •0 a 4: mínimo
- •5 a 9: leve
- •10 a 14: moderado
- •15 a 21: grave
Como transformar pontuação em conduta na APS
A escala não substitui diagnóstico. Ela orienta gravidade e ajuda a decidir intensidade do cuidado.
Sintomas mínimos ou leves
- •Psicoeducação
- •Sono, atividade física, redução de álcool
- •Intervenções breves, orientação e retorno programado
- •Considerar terapia e apoio social conforme caso
Moderado
- •Avaliar prejuízo funcional
- •Considerar psicoterapia quando disponível
- •Discutir início de farmacoterapia conforme protocolo local e perfil do paciente
- •Retorno mais curto, monitorar resposta
Grave
- •Avaliar risco de suicídio, psicose, catatonia, mania, abuso de substâncias
- •Considerar encaminhamento prioritário
- •Não postergar intervenção quando há risco
Risco de suicídio: o mínimo obrigatório
Se houver ideação, faça:
- •Avaliação de plano, meios, intenção, tentativa prévia, rede de apoio
- •Reduzir acesso a meios letais quando possível
- •Pactuar retorno breve e plano de segurança
- •Acionar rede de urgência se risco alto
A escala aponta, mas quem decide o risco é a clínica.
Seguimento e reavaliação
O grande ganho é usar as escalas como termômetro:
- •Repita em 2 a 6 semanas, dependendo do caso
- •Documente pontuação e conduta
- •Observe tendência: queda sustentada sugere resposta
Como o APS Flow ajuda
O APS Flow coloca PHQ-9 e GAD-7 em formato rápido, com soma automática, interpretação por faixa, lembrete de atenção ao item de risco e histórico para comparar evolução. Isso economiza tempo e padroniza o cuidado.
Referências
- •PHQ-9: material de referência com pontos de corte e orientação de interpretação.
- •GAD-7: pontuação e interpretação clássicas.